Confusão com
os nomes dos estados de MT e MS é constante, e não faltam teorias para tentar
explicar porque isto acontece. Tentando entender o motivo, talvez consigamos
resolver o problema, que tanto incomoda os sul-mato-grossenses (e mais ninguém, convenhamos).
Pelo viés
aqui observado, existem algumas
considerações que nos levam a concluir que existem erros na nomenclatura do
estado, surgida às pressas na época da divisão, erros de ordem lingüística, geográfica e por fim, histórica.
As barreiras
naturais impediram a entrada do homem civilizado no sul do Mato Grosso, que só
despertou interesse dos portugueses quando os espanhóis começaram a adentrar por estas plagas. Entretanto, muitas tentativas de povoamento dos europeus foram frustradas devido a outro fator de risco, mais incontrolável,
inesperado e brutal: a Nação Guaicuru.
Os Guaicurus
eram (são) uma raça indígena essencialmente
guerreira, que matava sem dó e aprisionava seus inimigos para escravizá-los (!). Não admitiam intromissão no seu “reino”, e
reagiam com violência terrível usando sua cavalaria contra povoados,
caravanas, exércitos; até o Forte
Coimbra caiu, ante sua fúria. Eram os “guerreiros mongóis” do Pantanal.
Ao norte, quem
dominava eram os Paiaguás, também uma nação indígena guerreira, especialista no
combate fluvial, com suas canoas de alta performance.
Durante anos
Guaicurus e Paiaguás foram aliados, mas esta aliança se enfraqueceu com o tempo e, assim como espanhóis e portugueses, tornaram-se
inimigos mortais. “Vez em quando se encontravam pelos rios da América”... e a
borduna comia solta.
Com efeito, o
sede do governo de Mato Grosso se chama Palácio Paiaguás; já a Assembleia
Legislativa de Mato Grosso do Sul tem por nome Palácio Guaicurus.
Espanhóis e
portugueses, Guaicurus e Paiaguás: sul e norte há muito tempo tem suas diferenças e seus "desentendimentos".
Contando este
período, depois a Guerra do Paraguai,
vemos que o sul de Mato Grosso teve pouquíssimo tempo de tranqüilidade e paz. No
mais, muito sangue jorrou por este chão, sempre por dominação territorial.
Eis então que
chegamos a 1932, quando os mato-grossenses
do sul se aliaram aos paulistas na Revolução Constitucionalista, objetivando a emancipação do seu território (não “divisão”) do estado de Mato Grosso.
Como se diz
na fonteira, daí o pau torou. Três mil
homems foram mobilizados para o combate e por pouco, muito pouco mesmo,
Aquidauana não foi bombardeada pelos aviões de Getúlio Vargas. Resultado: por
90 dias, foi estabelecido o Estado de Maracaju. Livre e soberano.
Em suma, Mato
Grosso do Sul integra-se ao seleto clube de estados brasileiros que chegaram a pegar
em armas pela sua independência, assim como Minas Gerais, Rio Grande do Sul,
Bahia, Pernambuco e Acre (os que eu
lembro).
Legal, né ?
Cada vez que
alguém confunde o Mato Grosso do Sul com Mato Grosso, os guaicurus e os
constitucionalistas se remexem em seus heroicos túmulos.
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Não é a toa
que ficamos chateados quando confundem
nosso nome, em rede nacional. Temos uma
geografia impactante e uma história extremamente rica, diferenciada de qualquer
outra. Depende somente de nós e de mais
ninguém resgatarmos nossa dignidade e cidadania.
Outra coisa
interessante: nosso feriado cívico principal (e único) se chama “Divisão do
Estado”. A gente não foi “criado”,
foi dividido (?). Comemora-se no dia 11 de outubro, que ultimamente serve só pra prolongar a
Semana do Saco Cheio.
Parada militar, desfile de bandas escolares e comemoração para quê, e para quem, já que todo mundo viaja ? Por mim, o feriado estadual de MS seria 9 de julho,o Dia da Revolução, assim como é em São Paulo.
Parada militar, desfile de bandas escolares e comemoração para quê, e para quem, já que todo mundo viaja ? Por mim, o feriado estadual de MS seria 9 de julho,o Dia da Revolução, assim como é em São Paulo.
No final, é assim
mesmo: vez por outra confunde-se o nome de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso, todo mundo se
indigna, dê-lhe “mimimi” em Redes Sociais, depois nos esquecemos do assunto... pelo
menos até que a próxima novela ou
programa de auditório esfregue na nossa
patriótica cara que, para muita
gente no Brasil, simplesmente não existimos.
Enfim, enquanto alguns amarem mais um NOME do que uma
TERRA (com suas belezas) e um POVO (com
suas conquistas), ninguém vai nos
reconhecer. Nem nós mesmos.
PS: Dedicado ao amigo Luiz Eduardo Parreira, de quem aguardamos ansiosamente o lançamento do livro (deguste: http://tudoporsaopaulo1932.blogspot.com.br/2010/07/e-o-sul-de-mato-grosso-foi-as-armas.html)

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