Isto mesmo que você leu.
Antes que você me julgue, e minha popularidade despenque mais do que a do Alberto Caubói ou da Aline “não-sei-das-quantas”, dois personagens (sic) de algumas destas edições que se perdem no tempo, explico:
Reality shows tem que expressar o quê? A realidade, certo? Pois bem... bem-vindo à realidade fora da SUA casinha. O mundo é isso, senhor e senhora donos-de-casa. Prestem atenção no que está acontecendo, enquanto você almoça, trabalha, ou dorme. E pior: esta é a realidade que seus adoráveis filhos estão à mercê.
Nossa parte, a gente faz, óbvio. Mas existe um mundão enorme lá fora, onde as regras são essas aí, que são esfregadas todas as noites de janeiro nas nossas caras, há 13 anos. Está certo, os personagens (sic) são escolhidos a dedo pela produção do programa para “causar”, se estranhar no confinamento e te darem alguns minutos de diversão bizarra, do tipo alcoólica, sexual, violenta, ou de linguagem grosseira (mais comum), mas não duvido que possam ser encontrados por aí, nas ruas, baladas, academias, deste Brasil afora. A isso chamamos “estereótipos”, senhores.
A probabilidade de esbarrarmos com eles por aí não é pequena, em nosso cotidiano. Agora imagine um lugar com mais de uma centena, ou cem, mil, cinco mil “jovens, bonitos, modernos e descolados” juntos (boates, shows, etc.). Pois é.
Como diz um amigo meu, “neste mundo tudo tem serventia, nem que seja pra servir de mau exemplo”. Não, não estou incentivando qualquer pessoa a ver o tal programa, nem o defendendo: pouquíssimas coisas que passam na televisão podem ser defendidas ou indicadas, principalmente para quem não conheço (você, leitor). Só mudo um pouco o foco.
Poucas coisas no Brasil causam tanta polêmica e divisão de opiniões como este programa. Os detratores, declaradamente contra, esbravejam e rotulam quem participa e quem assiste com termos muitos semelhantes aos utilizados pelos confinados, no meio dos conhecidos “bafões”, depois das costumeiras farras dento da casa.
Pensando nestes, lembro dos versos do compositor Paulo Ricardo: “o que você faria, aonde iria chegar ?”. Muitos de nós já fizemos alguma coisa digna de nota, de vergonha ou de escândalo. Lembrando outro poeta, Caetano: “de perto, ninguém é normal”... e ainda mais com mil câmeras em volta.
Nada que dura 13 edições (ou temporadas, como dizem os americanos) em televisão, pode continuar interessante. No fim, depois deste tempo todo, talvez não seja o programa que tenha ficado pior: a gente que amadureceu um pouco mais. Se você tem mais de 25 ou 30 anos, o Big Brother não te agrada porque não é feito pra você, mas sim praquele monte de jovens “bonitos, modernos e descolados” que estão aos montes por aí, que crescem em quantidade, a cada ano, e que se enxergam na realidade do programa. Mais um campeão de audiência.
De minha parte, independente de dar uma espiadinha de vez em quando, já fico feliz quando as pessoas se indignam e se revoltam quando alguém supostamente abusa de uma moça bonita entorpecida pelo álcool ou quando um cara com nome de “Deus” em latim declara rindo que arrancou os dentes do próprio cão à machadadas. Ainda resta esperança.
Realidade existe pra isso: para ser MUDADA.
No mais, vamos todos ler mais livros. Bons, de preferência.

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