terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Brasil, a Pátria da Gambiarra




Semana muito triste começando com a tragédia em Santa Maria, onde morreram centenas de jovens que se divertiam numa boate. Entre indignações de lá e explicações de cá, mais me convenço de uma afirmação que ouvi certa vez: o Brasil é o país da gambiarra. Ou melhor: do AMADORISMO. Senão, vejamos:

Os integrantes de uma banda resolvem fazer um show pirotécnico, mas lembram do “piro” (do radical grego “fogo”) e se esquecem do “técnico”.  Será que consultaram um especialista neste assunto, ou algum oficial dos Bombeiros, para saber as informações básicas sobre a segurança deste procedimento num ambiente fechado? Duvido.

Na boate Kiss cabiam setecentas pessoas, segundo Laudos Técnicos, emitidos para concessão de Alvará de Segurança: colocaram mil, no mínimo. Coincidentemente, o número aproximado de pessoas que foram vitimadas na tragédia. Obedecer à norma ? Hoje não. A galera quer se divertir, e o empresário precisa “cobrir os custos”.

A cereja deste bolo bizarro: seguranças contratados para “segurar” somente o lucro e o patrimônio dos contratantes fecharam as portas para o povo não sair sem pagar. Existem especialistas em segurança de verdade, contratados para identificar reais possibilidades de morte iminente de centenas de pessoas, mas estes são muito caros. Melhor contratar os que estão aí. Treinamento? Para quê?

No Brasil, além de sermos milhões de técnicos de futebol, somos todos especialistas em diversas áreas.  Não precisamos de eletricistas, contadores, bombeiros, administradores, veterinários, técnicos em segurança, jornalistas, publicitários, advogados, engenheiros...

O governo? Só serve pra “ferrar” a gente, com este monte de regras e taxas pra pagar. Como nada funciona mesmo, vou deixando do jeito que está. Quando me autuarem, eu resolvo: antes, enrolo bastante. Por fim, aciono meu advogado. 

Ainda tem o lance dos prazos: meu licenciamento está demorando, mas como eu colaborei na campanha de um vereador, ele me indicou um “profissional do serviço público” que assina sem vistoriar. Não sai tão barato, mas eu preciso trabalhar e ganhar dinheiro. Ele só precisa assinar, uma vez que eu fiz tudo certo. Entendo deste assunto.

Assim somos nós. Optamos pelo mais barato acreditando nas probabilidades, estatísticas e principalmente na nossa sorte.  Vamos atrás do mais cômodo porque, mesmo sem capacidade, tempo ou dinheiro, queremos “empreender”. Se não for assim, fica difícil trabalhar neste país, nosso lucro fica pequeno e não dá pra ir à Nova Iorque uma vez por ano (no máximo, até Bariloche).

O brasileiro não respeita quem é profissional, mas adora reclamar que não existe profissionalismo neste país.  Uma veterinária que eu conheço precisou colocar um cartaz no consultório dela: “Consulta R$ 50,00. Olhadinha, R$ 300,00”.  O número de atendimentos caiu.

Temos ainda nossos amigos. Acham que podemos fazer o impossível por eles (por que merecem, claro), quando não nos pedem de graça a única coisa que podemos lhes vender: nossa aptidão profissional, adquirida com alguns anos de suores e investimentos. Estes tempos atrás elaboramos um documento para um “amigo” destes.  Ele perguntou o preço: R$ 350,00. “Nossa, tudo isso por uma simples folhinha de papel?”. Não, o papel saiu por quatro centavos. A diferença é pela minha assinatura.

Você opta pelo mecânico mais barato, pelo eletricista mais em conta, pelo advogado que cobra menos que o recomendado pela tabela da sua categoria profissional, acreditando que está levando vantagem e não vai ter problemas no futuro. E vamos que vamos. Vem Copa do Mundo, Olimpíadas, obras fora do prazo, projetos refeitos. Na hora a gente ajeita.

Como diz a sabedoria popular, que sempre reflete com perfeição alguma Lei Universal: o barato demais sempre sai caro demais. E algum dia alguém paga a diferença.

Deus nos livre de nossa ganância.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Mídia social influencia decisão do investidor (Valor Econômico, 28/01/2013)


Por João Luiz Rosa e Cibelle Bouças | De São Paulo


As grandes empresas perceberam, há algum tempo, a importância das chamadas mídias digitais, como os blogs e as redes sociais. À medida que os clientes passaram a usar esses sites para reclamar sobre produtos e serviços, vários grupos começaram a vasculhar a web para tentar solucionar as queixas rapidamente e melhorar o relacionamento com os clientes. Agora, uma pesquisa internacional que será apresentada hoje mostra que, além do consumidor, dois outros públicos fundamentais para os negócios estão usando mais essas mídias: investidores e analistas.
O levantamento feito pela Brunswick Group, uma consultoria internacional de comunicação empresarial e financeira, indica um rápido aumento da influência das mídias sociais nas decisões de investimento. Um quarto das 500 pessoas ouvidas pela empresa em três regiões - América do Norte, Europa e Ásia - disse já ter tomado uma decisão de investimento ou feito uma recomendação depois de consultar um blog.
O Twitter ocupa um papel especial: o número de decisões envolvendo o site de mensagens curtas é de uma em cada oito, até três vezes mais que dois anos atrás. Além disso, o número de profissionais que investigou um problema após tomar conhecimento dele pelo Twitter quase triplicou desde 2010, passando de 11% naquele ano para 30% em 2012. "O uso de mídias sociais por investidores para acesso direto a informações das companhias tem se tornado cada vez mais popular", afirmou ao Valor Rachelle Spero, sócia da Brunswick e responsável pela pesquisa.
A maioria dos entrevistados (57%) disse considerar as "informações diretas provenientes de empresas" a maior fonte de influência para suas decisões. Um universo ainda maior de pesquisados (85%) classificou esse tipo de informação como uma das três principais fontes de influência, além das agências de notícias em tempo real, sites especializados em notícias de finanças e jornais de economia. A pesquisa apontou que 44% dos entrevistados contratam agências de notícias em tempo real para ajudar em seus processos de decisão de investimentos. O número de assinantes desses serviços caiu 10% no último ano. "A busca por informações nos blogs das companhias já supera o uso de serviços especializados", disse.
Para Rachelle, a preferência pelas mídias sociais a outros veículos de informação deve-se a alguns fatores. O principal motivo, disse, é que blogs e redes sociais permitem a analistas e investidores estabelecer um canal de comunicação direta com as companhias. "Para as empresas que possuem blogs e perfis nas redes sociais, as mídias sociais se tornaram um novo canal para atrair investidores de todo o mundo", disse Rachelle.
A sócia da consultoria afirmou ainda que grandes grupos do setor financeiro, como JP Morgan e Barclays Capital fazem uso cotidiano de blogs e redes sociais para obter informações sobre mudanças recentes realizadas nas companhias.
O estudo não possui dados específicos sobre o Brasil, mas Rachelle disse que a busca por informações em blogs e redes sociais têm crescido nas empresas. Ela considera que as companhias brasileiras devem investir mais nesses canais, tendo em vista que eles estão atualmente entre as principais fontes de pesquisa de investidores estrangeiros interessados em aportar recursos no país.
O levantamento da Brunswick Group mostra ainda que entre os profissionais de investimento também há uma adesão maior na Ásia que em outras regiões, como América do Norte e Europa. Na pesquisa, 86% dos investidores disseram que as fontes digitais tornaram-se mais importantes neste ano, puxados principalmente pelos investidores asiáticos.
O maior engajamento dos investidores às redes sociais não exclui, no entanto, a negociação cara a cara. O estudo apontou o contato direto de investidores com os executivos das empresas como sendo, de longe, o fator mais importante ao se fechar um acordo. Mas 14% dos participantes incluíram as mídias digitais e sociais entre essas três fontes, bem acima dos 6% da pesquisa anterior, feita em 2010.
A consultoria Brunswick Group foi fundada em 1987, em Londres. Atualmente, a companhia possui escritórios em 21 cidades no mundo, incluindo São Paulo.



Leia mais em:
http://www.valor.com.br/empresas/2985402/midia-social-influencia-decisao-do-investidor#ixzz2JGsaxNdj

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mato Grosso de onde ? ( II )


Confusão com os nomes dos estados de MT e MS é constante, e não faltam teorias para tentar explicar porque isto acontece. Tentando entender o motivo, talvez consigamos resolver o problema, que tanto incomoda os sul-mato-grossenses  (e mais ninguém, convenhamos).

Pelo viés aqui observado,  existem algumas considerações que nos levam a concluir que existem erros na nomenclatura do estado, surgida às pressas na época da divisão, erros de ordem lingüística, geográfica e por fim, histórica.

As barreiras naturais impediram a entrada do homem civilizado no sul do Mato Grosso, que só despertou interesse dos portugueses quando os espanhóis começaram a adentrar por estas plagas.  Entretanto, muitas  tentativas de povoamento dos europeus foram frustradas devido a outro fator de risco, mais incontrolável, inesperado e  brutal: a Nação Guaicuru.

Os Guaicurus eram (são) uma raça indígena essencialmente guerreira, que matava sem dó e aprisionava seus inimigos para escravizá-los (!).  Não admitiam intromissão no seu “reino”, e reagiam com violência terrível usando sua cavalaria contra povoados, caravanas, exércitos;  até o Forte Coimbra caiu, ante sua fúria.  Eram os “guerreiros mongóis” do Pantanal.

Ao norte, quem dominava eram os Paiaguás, também uma nação indígena guerreira, especialista no combate fluvial, com suas canoas de alta performance.

Durante anos Guaicurus e Paiaguás  foram aliados,  mas esta aliança se enfraqueceu com o tempo e, assim como espanhóis e portugueses, tornaram-se inimigos mortais. “Vez em quando se encontravam pelos rios da América”... e a borduna comia solta.

Com efeito, o sede do governo de Mato Grosso se chama Palácio Paiaguás; já a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul tem por nome Palácio Guaicurus.

Espanhóis e portugueses, Guaicurus e Paiaguás: sul e norte há muito tempo tem suas diferenças e seus "desentendimentos".

Contando este período, depois a  Guerra do Paraguai, vemos que o sul de Mato Grosso teve pouquíssimo tempo de tranqüilidade e paz. No mais, muito sangue jorrou por este chão, sempre por dominação territorial.

Eis então que chegamos a  1932, quando os mato-grossenses do sul se aliaram aos paulistas na Revolução Constitucionalista, objetivando a emancipação do seu território (não “divisão”) do estado de Mato Grosso.

Como se diz na fonteira, daí o  pau torou. Três mil homems foram mobilizados para o combate e por pouco, muito pouco mesmo, Aquidauana não foi bombardeada pelos aviões de Getúlio Vargas. Resultado: por 90 dias, foi estabelecido o Estado de Maracaju. Livre e soberano.

Em suma, Mato Grosso do Sul integra-se ao seleto clube de estados brasileiros que chegaram a pegar em armas pela sua independência, assim como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e  Acre (os que eu lembro).

Legal, né ?

Cada vez que alguém confunde o Mato Grosso do Sul com Mato Grosso, os guaicurus e os constitucionalistas se remexem em seus heroicos túmulos.

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Não é a toa que ficamos chateados  quando confundem nosso nome,  em rede nacional. Temos uma geografia impactante e uma história extremamente rica, diferenciada de qualquer outra. Depende somente de nós e de mais ninguém resgatarmos nossa  dignidade e cidadania.

Outra coisa interessante: nosso feriado cívico principal (e único) se chama “Divisão do Estado”.  A gente não foi “criado”, foi  dividido (?).  Comemora-se no dia 11 de outubro, que ultimamente serve só pra prolongar a Semana do  Saco Cheio. 

Parada militar, desfile de bandas escolares  e comemoração para quê, e para quem,  já que todo mundo viaja ? Por mim, o feriado estadual de MS seria 9 de julho,o Dia da Revolução, assim como é em São Paulo.

No final, é assim mesmo: vez por outra confunde-se o nome de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso, todo mundo se indigna, dê-lhe “mimimi” em Redes Sociais, depois nos esquecemos do assunto... pelo menos até que  a próxima novela ou programa de auditório esfregue na nossa  patriótica cara que, para muita gente no Brasil, simplesmente não existimos.


Enfim,  enquanto alguns amarem mais um NOME do que uma TERRA (com suas belezas) e um POVO (com suas conquistas), ninguém vai nos reconhecer. Nem nós mesmos.  


PS: Dedicado ao amigo Luiz Eduardo Parreira, de quem aguardamos ansiosamente o lançamento do livro (deguste: http://tudoporsaopaulo1932.blogspot.com.br/2010/07/e-o-sul-de-mato-grosso-foi-as-armas.html)  

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Mato Grosso de onde ? ( I )



Cena 1: moça vestida de forma muito recatada, que veio do interior, trabalhando na loja mais chique da novela das 7. Eis que perguntam  de onde ela veio. A secretária responde: de Campo Grande,  no Mato Grosso.

Cena 2: atacante pede música no Fantástico por que, segundo Thiago Leifert, marcou três gols no Morenão em Campo Grande, pelo campeonato “mato-grossense”.

Pronto: lá vem os sul-mato-grossenses espumando de ódio contra a falta de cultura geral do mundo.

Mesma história, mesmo enredo, mesmo desfecho, em épocas diferentes: desde 1977  esta mesma ladainha. Com razão, claro. Ninguém gosta de ser confundido com o que não é (mesmo que um dia já tenha sido).

Deduzimos, óbvio, que alguma coisa está errada. Como é possível que o Brasil inteiro ainda não aprendeu que Mato Grosso e Mato Grosso  do Sul não são o mesmo estado, depois de 35 anos ?  Gente letrada, doutores, escritores, músicos, jornalistas, sempre caem no mesmo erro.

Muitas teses “não-acadêmicas” tentam explicar tal fato.  A mais difundida é que os brasileiros não gostam de ler, o ensino é ruim, etc.  Verdade?  Em termos: o dia que o campeonato tocantinense for confundido com o  goiano, a gente sai às ruas soltando fogos.

A teoria que mais me convence é aquela que choca os mais puristas, os defensores do legado divisionista, os baluartes da sociedade do sul de Mato Grosso. Para  mim, e um pequeno bando de malucos subversivos,  o nome do nosso estado está errado. Só isso.

As histórias contadas pelos antigos mostram que nosso nome foi escolhido meio às pressas, para aproveitar um momento político propício no regime militar. Políticos da atual capital queriam Campo Grande, do interior sulista queriam  Maracaju, e os de Cuiabá queriam mesmo era ver o circo pegar fogo.  Foi quando Geisel apertou, no estilo dócil já conhecido dos generais: “ou vocês se entendem quanto à este nome ou não assino lei nenhuma, e fica tudo do jeito que está”.  Fecharam em Mato Grosso do Sul. Mais ou menos assim.

O resto já é notório: uma “divisão” que gerou um estado “do Sul” que não tem um “do Norte”, três décadas de confusões de todo tipo que segundo alguns atrapalham até nossa economia, e  a sonora vaia própria da nossa cultura, única no mundo,  que é entoada em uníssono pela multidão apaixonada quando uma autoridade ou artista erra nosso querido nome (“do Suuuuul”).

Mesmo que aprendida, a linguagem é dinâmica, intuitiva, fruto de alguns milhares de anos de evolução humana. Na comunicação verbal, as pessoas  ouvem, repetem, fazem analogias, e por fim apreendem (não só  aprendem) determinados termos. Desta forma, assim como as leis no Brasil (dizem),  as palavras “pegam” ou “não pegam”, de forma natural.  Nomes  são dados às coisas para identificá-las, individualizá-las, diferenciar o que é daquilo  que não é. Se um nome causa confusão  com outro, um dos dois está errado. Isto semanticamente falando.

Temos ai o primeiro erro que envolve nossos nomes (MT e MS):  linguístico.

Pegando o mote, vamos ao segundo aspecto equivocado dos nomes dos estados “divididos”: o GEOGRÁFICO. Diz o pai dos burros cibernético (a Wikipedia):  “uma das principais tarefas da geografia é dizer onde se situam as diferentes localidades do mundo e interpretar as vantagens e as desvantagens da localização”.

Todo mundo aprende na 4ª série (hoje mudou, deve ser no 5º ano), que uma das formas de se batizarem os lugares é pelas características geográficas e físicas da região. No caso, o estado de  Mato Grosso apresentava, obviamente, um mato grosso, onde os bandeirantes tinham dificuldade de entrar para colonizar a região (leia-se explorar ouro e escravizar índios).
Onde se localizava este “Mato Grosso” ? Uma vez que o estado foi colonizado de cima para baixo, de norte para sul, pela única forma possível de entrada (os rios), este mato grosso fica na... FLORESTA AMAZÔNICA. Aproximadamente a 1.000 km de MS.  Captou ?

Costumo dizer que ninguém reinventa a roda.  As ciências possuem regras claras, estudadas, testadas inúmeras vezes, por muito tempo,  antes de serem aplicadas e sistematizadas.  Estas regras e normatizações fazem com que fique mais fácil a interação entre as pessoas, e nós estamos acostumados a segui-las, mesmo inconscientemente. Resumindo: nós aprendemos mais facilmente o que é LÓGICO, e ponto final.

Existe um outro aspecto sobre esta questão ainda mais interessante, ao meu ver, e muito mais importante para nós sul-mato-grossenses do que para os outros: o contexto histórico.

Merece um texto à parte.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Big Brother Brasil, um programa inteligente.


Isto mesmo que você leu.

Antes que você me julgue, e minha popularidade despenque mais do que a do Alberto Caubói ou da Aline “não-sei-das-quantas”, dois personagens (sic) de algumas destas edições que se perdem no tempo, explico:

Reality shows tem que expressar o quê? A realidade, certo? Pois bem... bem-vindo à realidade fora da SUA casinha. O mundo é isso, senhor e senhora donos-de-casa. Prestem atenção no que está acontecendo, enquanto você almoça, trabalha, ou dorme. E pior: esta é a realidade que seus adoráveis filhos estão à mercê.


Nossa parte, a gente faz, óbvio. Mas existe um mundão enorme lá fora, onde as regras são essas aí, que são esfregadas todas as noites de janeiro nas nossas caras, há 13 anos. Está certo, os personagens (sic) são escolhidos a dedo pela produção do programa para “causar”, se estranhar no confinamento e te darem alguns minutos de diversão bizarra, do tipo alcoólica, sexual, violenta, ou de linguagem grosseira (mais comum), mas não duvido que possam ser encontrados por aí, nas ruas, baladas, academias, deste Brasil afora. A isso chamamos “estereótipos”, senhores.


A probabilidade de esbarrarmos com eles por aí não é pequena, em nosso cotidiano. Agora imagine um lugar com mais de uma centena, ou cem, mil, cinco mil “jovens, bonitos, modernos e descolados” juntos (boates, shows, etc.). Pois é.


Como diz um amigo meu, “neste mundo tudo tem serventia, nem que seja pra servir de mau exemplo”. Não, não estou incentivando qualquer pessoa a ver o tal programa, nem o defendendo: pouquíssimas coisas que passam na televisão podem ser defendidas ou indicadas, principalmente para quem não conheço (você, leitor). Só mudo um pouco o foco.


Poucas coisas no Brasil causam tanta polêmica e divisão de opiniões como este programa. Os detratores, declaradamente contra, esbravejam e rotulam quem participa e quem assiste com termos muitos semelhantes aos utilizados pelos confinados, no meio dos conhecidos “bafões”, depois das costumeiras farras dento da casa.


Pensando nestes, lembro dos versos do compositor Paulo Ricardo: “o que você faria, aonde iria chegar ?”. Muitos de nós já fizemos alguma coisa digna de nota, de vergonha ou de escândalo. Lembrando outro poeta,  Caetano: “de perto, ninguém é normal”... e ainda mais com mil câmeras em volta.


Nada que dura 13 edições (ou temporadas, como dizem os americanos) em televisão, pode continuar interessante. No fim, depois deste tempo todo, talvez não seja o programa que tenha ficado pior: a gente que amadureceu um pouco mais. Se você tem mais de 25 ou 30 anos, o Big Brother não te agrada porque não é feito pra você, mas sim praquele monte de jovens “bonitos, modernos e descolados” que estão aos montes por aí,  que crescem em quantidade, a cada ano, e que se enxergam na realidade do programa. Mais um campeão de audiência.


De minha parte, independente de dar uma espiadinha de vez em quando, já fico feliz quando as pessoas se indignam e se revoltam quando alguém supostamente abusa de uma moça bonita entorpecida pelo álcool ou quando um cara com nome de “Deus” em latim declara rindo que arrancou os dentes do próprio cão à machadadas. Ainda resta esperança.


Realidade existe pra isso: para ser MUDADA.

No mais, vamos todos ler mais livros. Bons, de preferência.




sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pronto... criei um blog.
Na realidade, "nasci" num blog, no ambiente virtual, para eternizar (?)  alguns textos meus. Se é que um dia vou escrever mais de um.

O blog nasce, eu faço crescer, alimentando. Senão, deixo morrer. Sem piedade. Antes morto do que capenga... e ruim.

Um dia eu volto. Blog, se vire sozinho por enquanto. Pelo menos é grátis.